quinta-feira, 10 de julho de 2008

cheiro de cigarro.

essa coisa de cheiro é complicada, sabia?
cheiros perseguem, espreitam. quando você se destrai, o ataque. e não adianta tentar fugir. torturam.

"o cheiro é o sentido que mais evoca lembranças"
é mesmo juliana, é mesmo.

cheiro doce de cigarros. gosto de cupuaçu.
("mas eu comi peixe. o que é cupuaçu?")

lembrei sim, guardei um pra você. aqui seu bom-bom.

vamos, vamos morrer de medo juntas, vamos tentar morrer sem querer de novo. duas putas. felizes, juntas.

oh take me back to the start.

vou falar, prometo.
vou falar quase tudo.

a primeira coisa que pensei, admito, foi que não deveria. mas cansei, cansei, estou muito muito cansada. já pretendia virar a noite hoje mesmo, enjoei de prorrogar certas coisas.
minha prioridade é me comunicar com quem me entende, pois de pessoas incompreendidas o mundo está cheíssimo, lotado.

é irritante conviver com semelhantes. conhecer, talvez. se ver repetida em aspectos que achava impossível de reproduzir é frustrante, eu não eu mais só eu, eu sou mais um. o problema é que não conviver com semelhantes é insuportável, não acha? e ainda assim não tem quem me entenda direito, eu acho. nem eu. ah, cansei de bater nessa tecla também, talvez eu seja é muito simples, me faça de difícil, mentira, sou a pessoa mais fácil do mundo, eu não valho um copo d'água, bêibe.

enfim, eu leio os textos dela e me vejo aqui sentindo as mesmas coisas.

quwria mesmo saber colocar direitinho o que é, mas aí vem aquela enorme sensação de estar diminuindo e colocando fronteiras em coisas tão imensas que às vezes eu nãos ei se existem, e evito pensar sobre elas.

eu tenho preguiça.

mas também, ora bolas, por que não colocar as coisas de modo objetivo em cima da mesa e ver claramente certas situações que certamente são muito mais simples do que aparentam?

eu não funciono assim.

eu odeio as exclamações, odeio reticências, vivo numa porra de reticência gigante, não as quero mais por aí me lembrando disso e me enchendo a paciência. tem que acabar! as coisas têm que acabar. elas sempre acabam, pra que fingir que elas se repetem eternamente e duram pra sempre?

eu me intimido.

me intimido um monte com essa certa introspecção.

eu sou insegura.

coo saber se vai dar certo? como saber se eu quero, e pior, como saber se você que também? será que eu posso exigir coisas às quais eu não respondo? diabos, odeio interrogações também. minha vida é uma reticência de interrogações.

???

eu tenho medo. morro de medo. juro.

mas eu quero, tenho a maior vontade do mundo!

eu me engano. mas o seu sorriso, o seu sorriso é bonito. tenho certeza.

as coisas passadas sempre parecem mais simples.

quinta-feira, 24 de abril de 2008

dores. (des)amores.

na maior parte das vezes eu não faço sentido. nas outras sou só incompreensível mesmo.
(ou uma completa idiota)

eu juro que tentei cara. eu tentei e tentei e tentei achar algo pra postar, pra atualizar, pra dizer.
mas não consegui, e olha, eu nunca sei mesmo o que falar viu. na maioria das vezes eu me arrependo do que eu digo ou não-digo.

ando pensando em julgamentos. não aqueles de tribunais - se bem q eu gosto desses tb (saudade do harvey - uíiiuuuu), mas os que a gente faz todo dia, das coisas mesmo. das pessoas. da gente. eu julgo muito sim, todo mundo. sou uma grande chata e reparo defeitos, principalmente em mim mesma, mas não é nem disso que eu quero falar. eu quero falar que eu fiz um julgamento uma vez que me custou um bocado - do qual eu ainda sinto falta. e aí eu fui e agi igualzinho à pessoa. e acho que a outra reagiu igual a mim. e agora eu não sei o que fazer. não sei mesmo ó, pq ao mesmo tempo que a situação toda me tira o sono e a tranquilidade, eu penso no julgamento q eu fiz e o quão idiota eu fui. só que, anormal que sou, desculpas não saem simples assim.

"Ah, insensatez que você fez
Coração mais sem cuidado
Fez chorar de dor o seu amor
Um amor tão delicado

Ah, por que você foi fraco assim
Assim, tão desalmado?
Ah, meu coração
Quem nunca amou
Não merece ser amado

Vai, meu coração, ouve a razão
Usa só sinceridade
Quem semeia vento, diz a razão
Colhe sempre tempestade

Vai, meu coração, pede perdão
Perdão apaixonado
Vai, porque quem não pede perdão
Não é nunca perdoado"

eu não entendo esse mal estar. supostamente não era pra eu me sentir bem? tá, eu sei que eu nunca estou como deveria estar (feliz de deus), mas mesmo assim, essa parte do estômago é estranha. nunca achei que as coisas pudessem estar relacionadas, alma-tripas.

e assim, como que de repente, acabaram-se meus lalalas pelas ruas e caminhos, e tudo que eu quero é voltar pra casa.

sinto cheiro de tempestade, sinto cheiro de depressão chegando. rivotril, sorvete, wong-kar wai, cerveja, aqui vamos nós.

honestamente, como bem disse raquel: dói amor, dói estômago, dói cotovelo (ou algo do tipo).

segunda-feira, 7 de abril de 2008

it's hard to live in the city.

eu agora tenho uma matéria que se chama plástica (e toda vez q eu falo isso me lembro do professor luis dizendo q qnto mais cor, mais plasticidade, aí associo a matéria com cores e fico animada). a professora q dá a matéria é super legal, embora tenha um sotaque esquisito, mas ela se veste bem, aí compensa, sabe.

poisé, a gente sempre discute coisas super interessantes nessa matéria, e aula que vem a gente vai fazer colagem (adoro colagens. mesmo. compulsiva e obsessivamente), mas o meu ponto é que, aila passada ela falou sobre como a ente vê as coisas. aí ela deu o exemplo de andar ouvindo música, e como as músicas diferentes nos fazem ver coisas diferentes na paisagem q a gente vê todo dia. como olhar pra cima, reparar as cores, o céu...

bom eu faço isso bastante (até demais, acho), e bem na hora eu me lembrei que eu ficava olhando o por do sol no meio da piscina na aula de natação, quase sendo atropelada. era lindo, cara. todo dia tinha cores diferentes, e inclusive um dia era roxo e amarelo e laranja, e, caramba, eu nunca vou esquecer aquilo.

aí hoje eu tava voltando pra casa, e eu nem tô feliz esses dias, tô mó frustrada - pra variar - mas comecei a ouvir musiquinhas dançantes dentro do ônibus e aquilo me deu uma alegrima tão grande, e comecei a prestar atenção na cena, e era tão bonita. tava de noite, tudo meio deserto e silencioso, uma garota de jeans e tênis com lozangos azuis se balançando na barrinha do ônibus, de acordo com as curvas e com a música, que desce saltitando e anda contarolando. tem graffitis bonitos no muro e ela gira nos postes e ensaia passos pela calçada, pega uma flor, pega outra flor, as duas flores dançam, lara-laralala. boa noite! passa a mão pelos azulejos azul-branco-azul-azul, grade branca, muro colorido, balança sacola, balança bolsa.

era a mesma música q eu ouvi nas férias, qndo vi veriana pela primeira vez e lembro q tb voltei pra casa dançando pela calçada.


bonito parar pra contemplar as coisas. pena q nem todo mundo faz isso, pena, pena. mas eu faço! é culpa de todas as musiquinhas com lalalas e palmas, são irresistíveis!

laralala, laralala.


(pra ler ouvindo "cal an ambullance" e "in transit" do albert hammond jr)




era pra ter ficado mais poético, eu acho.

terça-feira, 1 de abril de 2008

vamo logo pro refrão.

como bem colocou alguém um dia desses, quando se trata de
música eu sou uma putinha,e quero mais o que me der mais
prazer.
então, com isso em mente e sem vergonha (alguma de nada)
de ser feliz, a gente fala em alto em bom som que adora
mesmo é um pop dançante pra bater cabelo na buatchy.

Eu tava só tentando...
Te dizer, que é Auto-Reverse.
É Auto-Reverse!
Continuous Play!
Music Non-Stop!
Music...
Ei crianças façam isso em casa!



é claro que isso não impede a música de ter conteúdo,
e fomentar discussões filosóficas.

Sete dias no deserto, eu e o meu walkman.
As borboletas são lindas Juli, e o meu
cavalo está certo.
As estrelas e a lua são como luminárias
no céu.
Difícil mesmo vai ser quando tiver que
trocar,né?!

Eu tava só tentando...
Te dizer, que é Auto-Reverse.
É Auto-Reverse!
Continuous Play!
Music Non-Stop!
Music...
Agora tentem com mais força, tá?!



enfim, é a poesia do cotidiano que nos encanta.


Tem que cuidar pra não engasgar a fita
dentro do deck.
A TDK que eu tinha Flaming Lips
gravado estourou.
E eles me ensinaram a amar as coisas
mais bonitas do mundo.
As feias também, apesar das feias terem
sido chatas comigo.

O auto-falante que eu amava me deixou!



eu tava só tentando...

É impressionante, na escola
todo mundo toma bola.
E a comunidade influencia.
Eu parei pra pensar,
o que eu posso te falar.
Como eu não sei, então vâmo lá!
Vâmo logo pro refrão!

criação de mundos paralelos dá ênfase à crítica social


Vindo do céu numa bolha voadora,
cheia de astros mirins numa nave espacial.
Dulci recorta um destino pra si,
o superman que procura está no jornal

Se ela quer flores, que cheiro elas têm?
Marsupiais são do bem.
Um outro planeta, dançando uma valsa no ar.

Dulci acha tudo o máximo.

pérolas, pérolas.


Tente se ver como Don Corleone,
na ressaca moral de um sábado atrás.
Sem proteínas e uns bons hematomas,
nenhum ser humano consegue viver.


dulci acha tudo o máximo.


ohoh-oh!

segunda-feira, 24 de março de 2008

brainstorm, ou um dia a mais.

Se sentindo meio mal, sem muita vontade de fazer qualquer coisa e ponderando sobre usar cocaína pra terminar o período, entra no ônibus no calor infernal de três da tarde. a quentura e o vento que entra pela janelinha imunda, a música que escuta a faz pensar no mar, que por de cima da ponte parece simplesmente lindo. depois de descer na parada e atravessar as ruas que odeia atravessar, passar pela parada e lembrar que amanhã de manhã estará lá esperando o maldito ônibus lotado e insuportavelmente quente, o desejo de água e mar se tornam impossíveis de ignorar. a música animadinha a faz ensaiar passos de dança ao atravessar o estacionamento desértico balançando os cabelos curtos e mal presos. sente o suor escorrer, as pessoas ao redor não parecem prestar atenção, nem ela, que pensa em dançar e nos amigos distantes, e como nunca dança com eles, pensa em preguiças que atravessam ruas, pensa em nunca mais sair de casa, pensa em estudar, pensa em se tornar outra, pensa nas coisas que não gostaria de ter dito, pensa em voltar no tempo, pensa em dizer outras coisas, pensa no que fazer, pensa em namorados inexistentes, pensa em sair na sexta pra dançar, chega perto da praia e o mar é a coisa mais linda do mundo. o céu tem milhares de tons de azul-piscina meio neon, meio melancólico, tudo é meio melancólico, inclusive a música que toca depois de descalçar os tênis e as meias e arregaçar as barras das calças. a areia massageia, mas tem tanta sujeira, tanta, ainda assim é bonita, mesmo suja, como ela gostaria de ser, pq as coisas muito perfeitas a incomodam e ela tem medo da transitoriedade do tempo; lembra de filmes, deseja fazer um filme, mas o barulho das ondas rouba sua concentração e ela fica meio hipnotizada olhando-as ir e vir, ir e vir, molha as calças, molha os tênis, fica meio pegajosa, se senta na areia, desenha na areia, queria ter uma câmera digital ou de vídeo, queria registrar aquilo, se bem que essas coisas perdem todo o significado se aprisionadas dentro de imagens paradas ou em movimento falso, dentro de palavras. a música continua tocando e ela se lembra de conversas antigas, se lembra que gosta de pintar quadros, ainda que seja sempre meio frustante, tenta parar de pensar em qualquer coisa, se concentra em mexer na areia levemente. olha pras unhas dos pés azuis e pensa em personagens de filmes, como a menina de cabelo colorido que deita no gelo do lado do jim carrey. se perde em pensamentos e na textura da areia, se sente bem, se sente molhada, leva um susto, está molhada mesmo, e coberta de areia, e suas coisas estão molhadas e sua bolsa vermelha, que sacode pra tirar a água de dentro, e os cadernos, e o celular, bem, depois tudo seca, tudo evapora nessa vida, só sobram depois as marquinhas e fica tudo meio desgastado. se sente mal por estragar um pouco os livros da biblioteca, mas se sente bem em caminhar descalça pra casa, coberta de areia, molhada e descabelada, e cantarola a música dançante que está ouvindo enquanto um cara em cima do muro a olha sem saber como reagir. o porteiro diz boa tarde e ela responde, e pensa que nunca havia soado tão sincera na vida. sobe no elevador, ninguém em casa, é, melhor assim, acha. tira a roupa na área de serviço que é pra não sujar o chão e vai de calcinha e sutiã pro banheiro se olha no espelho e se acha bonita descabelada, e deseja que outros a vissem assim também, enquanto pensa nessa narrativa, organizando palavras na cabeça, toma banho e a água com cloro do chuveiro lava a felicidade embora, e ela se encosta na parede e vai descendo devagar até estar acocorada no chão, como nessas cenas de filme, só que se sente tão mal quanto nenhuma atriz já pode representar, e termina de tomar banho com o sabonete, que cheira bem. se enrola na toalha, pega duas fatias de pão com requeijão e se senta na poltrona da sala pra assistir o final de o morro dos ventos uivantes,s e diverte vendo mulheres brigarem pelo amor de um homem e pensa que já não se fazem filmes como antigamente, o que sabe ser meio bobagem, meio verdade, mas o interfone toca e ela passa um tempão escolhendo que roupa usar pra receber o vizinho de cima e o encanador, que vêm olhar a infiltração na parede. e vendo o velhinho ela se lembra de todas as coisas que tem que fazer e que gostaria de fazer e tem vontade de entrar em coma e dormir. melhor fazer o dever de gráfica.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

rayza quem?

é estranho isso de "envelhecer". entre aspas, claro, pois ainda sou ma "menina". mas a relatividade disso tudo me faz recear a por aspas e até mesmo a continuar escrevendo. envelhecer propões algo imutável, que é mudar. supostamente estamos no centro disso, no controle, mas será?
eu não sei se algum dia soube com certeza quem eu era. mas eu tinha algumas características praticamente irrefutáveis a meu respeito, que me definiam de certa forma. hoje em dia paro pra pensar sobre isso e não reconheço mais essas coisas. não sei se por inocência, ou ignorância na época, mas tudo aquilo que antes certamente era eu agora é meio nebuloso, duvidoso. e o futuro que eu imaginava ter acabou tão distinto que às vezes me pergunto se eu mesmo o vivi ou se o tempo simplesmente passou ao meu redor e fui lentamente me esquecendo do que eu queria fazer e ser, ou percebendo que não valia a pena.
o grande problema da vida é que a maioria das coisas acaba se resumindo à uma questão de ponto de vista. coisas que faziam sentido ão parecem mais fazer e isso é estranho, e de certa forma, assustador.
eu gosto de mudanças. só é estranho não estar direito no controle delas.
me imagino daqui a 10 anos. espero que eu não me envergonhe, por que se a minha eu de uns 5 anos atrás me visse como sou hoje, acho que me envergonharia. assim como às vezes me envergonho de quem eu era.
caramba, eu chorei assistindo orgulho e preconceito hoje numa cena tão brega quanto aqueles coraçõeszinhos que as pessoas entalham nas árvores com nomes de namorados.
é estranho pensar sobre algo e não saber com certeza qual é a sua própria opinião.
às vezes sinto que são tantas alternativas e expectativas que eu acabo não fazendo nada só pra não fazer a escolha errada.
quando será que eu finalmente me sentirei confortável?