Veriana diz:
"adolescente se joga do sétimo andar de um prédio após pintar parede"
outubro ou nada. diz:
ahahaha
outubro ou nada. diz:
nem me diga
Veriana diz:
- eu sempre achei q ela era louca - afirma a empregada - desde q vi aquela mangofa no corredor.
sábado, 11 de outubro de 2008
mantra.
vai passar. vai passar. vai passar. vai passar. vai passar. vai passar. vai passar. vai passar. vai passar. vai passar. vai passar. vai passar. vai passar. vai passar. vai passar. vai passar. vai passar.vai passar.vai passar.vai passar.vai passar.vai passar.vai passar.vai passar.vai passar.vai passar.vai passar.vai passar.vai passar.vai passar.vai passar.vai passar.vai passar.vai passar.vai passar.vai passar.vai passar.vai passar.vai passar.vai passar.vai passar.vai passar.vai passar.vai passar.vai passar.vai passar.vai passar.vai passar.vai passar.vai passar.vai passar.vai passar.vai passar.vai passar.vai passar.vai passar.vai passar.vai passar.vai passar.vai passar.vai passar.vai passar.vai passar.vai passar.vai passar.vai passar.vai passar.vai passar.vai passar.vai passar.vai passar.vai passar.vai passar.vai passar.vai passar.vai passar.vai passar.vai passar.vai passar.vai passar.vai passar.vai passar.vai passar.vai passar.vai passar.vai passar.vai passar.vai passar.vai passar.vai passar.vai passar.vai passar.vai passar.vai passar.vai passar.vai passar.vai passar.vai passar.vai passar.vai passar.vai passar.vai passar.vai passar.vai passar.vai passar.vai passar.vai passar.vai passar.vai passar.vai passar.vai passar.vai passar.vai passar.vai passar.vai passar.vai passar.vai passar.vai passar.vai passar.vai passar.
um dia passa.
um dia passa.
sexta-feira, 10 de outubro de 2008
jantares inofensivos.
rayza: tá, então vamos fazendo o arroz e o frango tem que esperar descongelar.
manauara: o que eu posso fazer?
rayza: não sei
manauara: tá bom então, vou desenhar no meu bloquinho novo! (sai saltitando)
rayza: (cortando cebola idiotamente usando um óculos de natação cor-de-rosa)
manauara: rayza.... por que vc tá usando isso?
rayza: eu sou um pouco alérgica....
manauara: (tom sério) nossa cara, por que vc não me contou?
rayza: (lacrimejando, tira os óculos, encara manauara) o que diabos vc queria? oi, meu nome é rayza, tenho dezoito anos recém-completados e sou alérgica a cebolas, o que me obriga a usar um óculos de natação ridículo ao cortá-las. quer ser meu amigo?
manauara: vem flávio, deixa eu te mostrar a parede pra você ver como a rayza é realmente louca!
flávio: (olha a parede) como você fez isso?
rayza: com as mãos
flávio: hahaha, que psico!
rayza: eu acho que casa bem com o resto do apartamento.
manauara: o que eu posso fazer?
rayza: não sei
manauara: tá bom então, vou desenhar no meu bloquinho novo! (sai saltitando)
***
rayza: (cortando cebola idiotamente usando um óculos de natação cor-de-rosa)
manauara: rayza.... por que vc tá usando isso?
rayza: eu sou um pouco alérgica....
manauara: (tom sério) nossa cara, por que vc não me contou?
rayza: (lacrimejando, tira os óculos, encara manauara) o que diabos vc queria? oi, meu nome é rayza, tenho dezoito anos recém-completados e sou alérgica a cebolas, o que me obriga a usar um óculos de natação ridículo ao cortá-las. quer ser meu amigo?
***
manauara: vem flávio, deixa eu te mostrar a parede pra você ver como a rayza é realmente louca!
***
flávio: (olha a parede) como você fez isso?
rayza: com as mãos
flávio: hahaha, que psico!
rayza: eu acho que casa bem com o resto do apartamento.
quinta-feira, 9 de outubro de 2008
bitterness.
quão pior a vida fica, quantos mais problemas eu arrumo, quantas mais merdas eu faço;
quão mais lindo tudo parece ser, singelamente.
porque, acima de tudo, as nuvens se movendo no céu azul.
quarta-feira, 8 de outubro de 2008
pra que minha vida siga adiante.
eu vejo estrelas nas janelas do ônibus, constelações na chuva que cai.
tudo reluz.
tudo reluz.
hoje.
mariana: você parece melhor. e a parede? afinal, porque você pintou a parede? você tipo pintou pintou, ou pintou com tinta? prq vc tava esquisita no dia, cheirou muita tinta?
rayza: foi com tinta a óleo.
mariana: aaaaah. aaaah. (pára pra pensar, faz uma careta e ri).
rayza: moral da história: não tome rivotril.
estephan: você anda muito esquisita esses dias.
rayza: marquei uma consulta no psicólogo.
mnauara: por que? sua família?
rayza: não é óbvio? não é minha família, sou eu. aliás, minha família só deixa mais claro. eu cresci com uma família e pais perfeitos, uma criação exemplar, e me tornei... isso. eu tenho problemas cara, eu não bato bem. deve ser algum defeito genético.
manauara: mas só vai dar resultado lá pela teceira consulta.
rayza: eu sei, eu deveria fazer isso desde os 13 anos.
manauara: eu hein, por que?
rayza: pra hoje em dia ser uma pessoa normal. uma pessoa normal não pinta paredes nem sente vontade de tomar substâncias psicotrópicas. marquei logo no psicólogo, por que se fosse no psiquiatra e rolasse remédio, não ia prestar.
rayza: ando lendo bastante nesse dois anos de universidade, sabe? agora com as consultas no psicólogo e aulas de piano, em breve me tornarei uma pseudo-erudita perfeitamente razoável.
luisa: rayza, me fala um nome.
rayza: sorvete.
magno: rayza, me fale nomes que te lembrem diversão.
rayza: sorvete.... algodão-doce... sorvete.
rayza: oi.
darlan: oi.
rayza: foi com tinta a óleo.
mariana: aaaaah. aaaah. (pára pra pensar, faz uma careta e ri).
rayza: moral da história: não tome rivotril.
estephan: você anda muito esquisita esses dias.
rayza: marquei uma consulta no psicólogo.
mnauara: por que? sua família?
rayza: não é óbvio? não é minha família, sou eu. aliás, minha família só deixa mais claro. eu cresci com uma família e pais perfeitos, uma criação exemplar, e me tornei... isso. eu tenho problemas cara, eu não bato bem. deve ser algum defeito genético.
manauara: mas só vai dar resultado lá pela teceira consulta.
rayza: eu sei, eu deveria fazer isso desde os 13 anos.
manauara: eu hein, por que?
rayza: pra hoje em dia ser uma pessoa normal. uma pessoa normal não pinta paredes nem sente vontade de tomar substâncias psicotrópicas. marquei logo no psicólogo, por que se fosse no psiquiatra e rolasse remédio, não ia prestar.
rayza: ando lendo bastante nesse dois anos de universidade, sabe? agora com as consultas no psicólogo e aulas de piano, em breve me tornarei uma pseudo-erudita perfeitamente razoável.
luisa: rayza, me fala um nome.
rayza: sorvete.
magno: rayza, me fale nomes que te lembrem diversão.
rayza: sorvete.... algodão-doce... sorvete.
rayza: oi.
darlan: oi.
terça-feira, 7 de outubro de 2008
a parede.
eu sempre odiei as paredes daqui. são verde, verde cor-de-consultório-de-dentista-pobre-estilo-unimed. as que não são verde são bege ou um rosa meio bege totalmente sem-graça.
um beo dia houve uma infiltração e tivemos que quebrar uma das paredes, a do corredor, o buraco foi tapado mas a parede precisava ser repintada por inteiro. estava lá, uma parede desolada om um pedaço em cimento.
enfim, eu tenho crises. crises com ou sem razão, das quais geralmente as com razão são piores. já me bati em parede, já andei por quadras berrando de chorar, já fiquei dias inteiros deitada na cama, já rabisquei móveis com batom.
eu tive uma das piores anteontem. consequentemente, as reações foram piores. eu sabia disso, por isso tentei mesmo dormir - com ajuda de coisas sintéticas-, mas acabei pulando em cima da cama tentando tocar o teto, cantando a plenos pulmões de madrugada - com a ajuda de coisas sintéticas. até que pensei: "por que não desenhar na parede?" e aí o que aconteceu foi uma bela lambança de horas na madrugada com tinda óleo e acrílica, mãos, pés, dedos, camisola. azul, magenta, amarelo, marrom, mistura, pinta, passa a mão, escreve, canta corre, dança. tinta na parede, no chão, nas janelas. terminei - acabou a tinta, deitei no chão, quase dormi. tenho aula amanhã. banho, cama.
acordei atrasada, tomei banho, botei uma roupa, cheguei na ufes e percebi que ainda estava suja de tinta e triste.
"rayza, o que aconteceu?"
"eu pintei a parede."
ficou horrível e minha avó vai me matar, mas toda vez que vejo aquela parede pintada de milhares de cores de qualuqer jeito, com marca de mão e de mim, me sinto bem. muito bem.
um beo dia houve uma infiltração e tivemos que quebrar uma das paredes, a do corredor, o buraco foi tapado mas a parede precisava ser repintada por inteiro. estava lá, uma parede desolada om um pedaço em cimento.
enfim, eu tenho crises. crises com ou sem razão, das quais geralmente as com razão são piores. já me bati em parede, já andei por quadras berrando de chorar, já fiquei dias inteiros deitada na cama, já rabisquei móveis com batom.
eu tive uma das piores anteontem. consequentemente, as reações foram piores. eu sabia disso, por isso tentei mesmo dormir - com ajuda de coisas sintéticas-, mas acabei pulando em cima da cama tentando tocar o teto, cantando a plenos pulmões de madrugada - com a ajuda de coisas sintéticas. até que pensei: "por que não desenhar na parede?" e aí o que aconteceu foi uma bela lambança de horas na madrugada com tinda óleo e acrílica, mãos, pés, dedos, camisola. azul, magenta, amarelo, marrom, mistura, pinta, passa a mão, escreve, canta corre, dança. tinta na parede, no chão, nas janelas. terminei - acabou a tinta, deitei no chão, quase dormi. tenho aula amanhã. banho, cama.
acordei atrasada, tomei banho, botei uma roupa, cheguei na ufes e percebi que ainda estava suja de tinta e triste.
"rayza, o que aconteceu?"
"eu pintei a parede."
ficou horrível e minha avó vai me matar, mas toda vez que vejo aquela parede pintada de milhares de cores de qualuqer jeito, com marca de mão e de mim, me sinto bem. muito bem.
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